
A etapa atual do rito regimental é destinada à apresentação da defesa do chefe do Executivo. Na manhã de hoje, contudo, Peña solicitou formalmente aos senadores a concessão de maior prazo para a elaboração de seus argumentos. O rito completo será desdobrado em cinco fases sequenciais, incluindo a análise de provas, alegações finais e a votação soberana dos 45 parlamentares da Câmara Alta. Segundo o presidente do Congresso, Basilio Núñez, a tramitação não será encerrada em um único dia para assegurar a rigidez jurídica do processo.
A abertura da ação de cassação foi aprovada por unanimidade pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (5). Na sequência, Peña gravou um pronunciamento em vídeo anunciando o envio de uma carta de renúncia ao cargo, sob a justificativa de preservar a estabilidade democrática e a paz social. A apresentação da carta abriu um embate no parlamento: parlamentares da oposição exigem a rejeição da renúncia para garantir a cassação via impeachment, mecanismo que retira do gestor o direito de assumir o cargo de senador vitalício e a consequente imunidade parlamentar.
As denúncias apontam suposto conflito de interesses, manipulação regulatória e irregularidades no manejo de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social. Peña figurou como acionista do grupo controlador da instituição financeira até março de 2025. Para a perda definitiva do mandato, são necessários 30 votos no Senado. Caso o impedimento seja confirmado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do país até agosto de 2028.