
A Malha Oeste, principal linha férrea de Mato Grosso do Sul, deve ir a leilão na B3 no segundo semestre de 2026, segundo o Ministério dos Transportes. A concessão busca reativar e modernizar a ferrovia, que há anos opera de forma limitada, e transformá-la em corredor de exportação para minério, combustíveis e celulose.
A estimativa do projeto prevê R$ 35,7 bilhões em investimentos em obras para reativação e modernização da malha, além de R$ 53,5 bilhões ao longo da operação. Segundo o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, o trecho entre Corumbá e Campo Grande deve receber investimentos voltados principalmente ao escoamento de minério. Já entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, o contrato deverá exigir a rebitolagem da via para permitir conexão eficiente com a Malha Paulista.
O plano também contempla ligação com o Ferroanel, ampliando alternativas de acesso aos portos, incluindo não apenas Santos (SP), mas também o Rio de Janeiro. A estratégia busca integrar a Malha Oeste às demais ferrovias nacionais.
O governador Eduardo Riedel destacou que o trecho entre Três Lagoas e Campo Grande deverá ser prioridade inicial de investimentos, devido à maior concentração de cargas, especialmente do setor de celulose. Mato Grosso do Sul é o maior produtor nacional do insumo e responde por parcela significativa da produção exportada.
De acordo com o ministro dos Transportes, Renan Filho, o Brasil produz cerca de 25 milhões de toneladas de celulose por ano, mas consome apenas parte desse volume, o que exige infraestrutura eficiente para escoamento até os portos.
Além do impacto econômico, o governo estadual aponta ganhos ambientais com a ampliação do transporte ferroviário. Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a migração de cargas das rodovias para a ferrovia tende a reduzir emissões e custos logísticos, tornando os produtos sul-mato-grossenses mais competitivos no mercado internacional.