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Malha Oeste deve ir a leilão em 2026 com previsão de R$ 35,7 bi em obras

Projeto prevê reativação da ferrovia estratégica para escoar minério e celulose em Mato Grosso do Sul

Por: Redação
11/02/2026 às 10h10 Atualizada em 12/02/2026 às 10h06
Malha Oeste deve ir a leilão em 2026 com previsão de R$ 35,7 bi em obras

Depois de anos nos trilhos parados, Malha Oeste quer acelerar rumo aos portos

A Malha Oeste, principal linha férrea de Mato Grosso do Sul, deve ir a leilão na B3 no segundo semestre de 2026, segundo o Ministério dos Transportes. A concessão busca reativar e modernizar a ferrovia, que há anos opera de forma limitada, e transformá-la em corredor de exportação para minério, combustíveis e celulose.

Com 1.973 quilômetros de extensão, a Malha Oeste liga Corumbá a Mairinque (SP), passando por Campo Grande e Três Lagoas, além de contar com ramal entre Campo Grande e Ponta Porã. O governo federal avalia a possibilidade de dividir o leilão em lotes, conforme o interesse do mercado.

A estimativa do projeto prevê R$ 35,7 bilhões em investimentos em obras para reativação e modernização da malha, além de R$ 53,5 bilhões ao longo da operação. Segundo o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, o trecho entre Corumbá e Campo Grande deve receber investimentos voltados principalmente ao escoamento de minério. Já entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, o contrato deverá exigir a rebitolagem da via para permitir conexão eficiente com a Malha Paulista.

O plano também contempla ligação com o Ferroanel, ampliando alternativas de acesso aos portos, incluindo não apenas Santos (SP), mas também o Rio de Janeiro. A estratégia busca integrar a Malha Oeste às demais ferrovias nacionais.

O governador Eduardo Riedel destacou que o trecho entre Três Lagoas e Campo Grande deverá ser prioridade inicial de investimentos, devido à maior concentração de cargas, especialmente do setor de celulose. Mato Grosso do Sul é o maior produtor nacional do insumo e responde por parcela significativa da produção exportada.

De acordo com o ministro dos Transportes, Renan Filho, o Brasil produz cerca de 25 milhões de toneladas de celulose por ano, mas consome apenas parte desse volume, o que exige infraestrutura eficiente para escoamento até os portos.

Além do impacto econômico, o governo estadual aponta ganhos ambientais com a ampliação do transporte ferroviário. Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a migração de cargas das rodovias para a ferrovia tende a reduzir emissões e custos logísticos, tornando os produtos sul-mato-grossenses mais competitivos no mercado internacional.

Após quase uma década de impasses envolvendo a atual concessionária, a Malha Oeste foi incluída no calendário de concessões federais. O projeto deve ser apresentado a investidores nos próximos meses.

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