
Forte Coimbra, um dos marcos históricos mais simbólicos de Mato Grosso do Sul, celebra nesta quarta-feira, 16 de julho, o Dia de Nossa Senhora do Carmo, sua padroeira. A data reúne moradores da comunidade local, militares da guarnição e visitantes vindos de Corumbá e arredores para uma jornada de fé, cultura e memória. A programação inclui missa, procissão, cerimônia de troca do manto da santa e o tradicional churrasco pantaneiro, símbolo da hospitalidade regional.
A devoção à santa está intimamente ligada à origem e sobrevivência do próprio forte, fundado em 1775 por Ricardo Franco. Tombado como patrimônio nacional pelo Iphan em 1975, o local guarda episódios lendários que explicam a forte fé dos moradores em Nossa Senhora do Carmo. Dois momentos históricos reforçam essa ligação: o primeiro em 1801, durante o ataque de tropas espanholas, e o segundo em 1864, no início da Guerra do Paraguai.
No episódio com os espanhóis, apenas 110 soldados brasileiros resistiram heroicamente por nove dias contra um exército invasor de 600 homens. Segundo a tradição oral, a inesperada retirada dos espanhóis ocorreu após a aparição luminosa da imagem da santa sobre o portão do forte. O fato é tido pelos moradores como um milagre e o marco do início da devoção mariana no local.
Já em 1864, durante o cerco paraguaio com 3,2 mil soldados contra um pequeno destacamento brasileiro, a exibição da imagem da santa por um militar teria causado temor nos inimigos, que suspenderam o ataque, permitindo a fuga dos sobreviventes. Desde então, a imagem original, trazida por Ricardo Franco, é preservada na capela da Vila Civil, recebendo honras militares. Aos seus pés, fiéis depositam joias, fotos e outros objetos em agradecimento pelas graças recebidas.
Além do seu valor religioso, a festa integra o calendário oficial de eventos turísticos e culturais de Corumbá. A celebração deste ano conta com o apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Fundação da Cultura, e com a presença de representantes do Executivo local, como os secretários Marcos de Souza Martins, Nilson dos Santos Pedroso e a diretora-presidente da Fundação, Wanessa Rodrigues.
A devoção à Nossa Senhora do Carmo vai além do sagrado. Ela une história, fé e resistência num dos pontos mais isolados e encantadores do Pantanal brasileiro, onde a fé segue navegando firme, como os soldados de outrora, pelas águas do rio Paraguai.